Nesse final de semana (só para mim prolongado),aproveitei para resolver uma questão que me afligia, os impostos atrasados da primeira cidade onde vive no Japão. Sim desse lado do globo também estamos fudidos e mal pagos... Então antes de dar entrada na renovação do visto,corre atrás de negociar a divida pendente com a prefeitura de Shimizu. Pra ser sincero não tive prazer nenhum nessa empreitada honesta, por mim eu sonegava tudo, afinal as mãos do governo nipónico estão enfiadas nos nossos bolsos. Não adianta olhar pro lado não tem saída, não adianta correr eles estão logo atrás. Algumas prefeituras recorreram as imigrações para receber as dividas dos estrangeiros e é claro a quantidade de brasileiros inadiplentes é absurda, foi exatamente nas regiões que há concentrações de braz, que as prefeituras recorreram as imigrações, pedindo para que não renovem os vistos de quem está em debito, tal fato ainda não está em vigor em todas províncias. Mas não quero arriscar.
Na prefeitura de Shimizu-kú que é uma espécie de distrito da cidade de Shizuoka,fui atendido por uma nikkey que faz traduções para brasileiros e estrangeiros de língua hispânica, simpática e gentil ela me ajudou a negociar a divida de 212,000 yenes. Depois de muita conversa, falei que precisava de algum documento que declarasse que eu estava me comprometendo à pagar o leãozinho municipal (soube desse documento atravez da revista Alternativa da editora Nippaku), mas ninguém ali sabia como fornecer o papel que eu pedia, disseram que só há um comprovante para quem quita a divida, o que não é o meu caso já que pedi para as facadas serem dadas parceladamentes. Mas tenho certeza que há algum documento a ser dado para quem tenta pagar. No fim sai de lá com a mesma ideia que me persegue desde quando cheguei: Aqui ninguém sabe de nada!!!
Para ir até Shizuoka, onde eu embarquei num shikansen (trem bala) tive que pegar um trem menos famoso, e definitivamente muito mais lento, Shizutetsu que vai do centro de Shimizu ao centro de Shizuoka parando em diversas mini-estações.Nesses trens os bancos ficam encostados nas janelas e de frente ao banco do lado oposto. Eram 4 horas da tarde aproximadamente quando entrei no trem, e a essa hora é previsível o tipo de gente que está num trenzinho de uma micro-metrópole japonesa: velhinhos, velhinhas e estudantes em sua maioria... . Sentadas no banco da frente duas senhoras japonesas e ao lado o único jovem abordo do trem, a direita um senhor de uns 40 anos, logo a sua frente um velhinho de rugas gigantescas, à minha esquerda o único exemplar de 20 anos da mulher japonesa naquele trem. Estava tudo muito tranquilo, o dia estava quente para o inverno severo do Japão :
Olhei para o meu lado esquerdo, e lá estava um menino de uns 14 anos com o pinto para fora, se masturbando tranquilamente (ou seria excitadamente), concentrado em seu membro, (nojento). As duas senhoras a minha frente olharam, viram e desviaram o olhar, não com nojo mas com pesares de causar pena, seus rostos cobertos de pele flácidas deprimiram... Não acreditei naquela cena, olhei ao meu redor, e sim eu estava no Japão, sim eu estava num trem, e sim o menino gordinho guardou seu equipamento e nos deixou. Procurei seu rosto do lado de fora do trem tentando encontrar alguém de aparência perturbada, mas ele não aparentava loucura, não dava indícios de perturbação mental, e limpava os dedos (não direi onde, esse ainda é um blog sério), mas é claro que se trata de alguém que realmente precisa de cuidados e que forçará cuidados de quem vive perto dele.
Algo além da cena ¨bizarra¨ me chamou a atenção, ninguém além de mim e das senhoras á minha frente demonstrou qualquer espanto, nojo ou surpresa, alguns não viram outros viram mas mantiveram as expressões intactas, plenas nas preuculpações triviais, mantiveram os olhares perdidos. Não encontro nenhuma outra palavra. Lunáticos, tanto os que não viram porque estão ocupados com seus pensamentos quebrados quanto os que fingiram que não acontecia nada.
E é assim ninguém repara em nada por aqui, as informações não chegam e quando chegam são distorcidas e ignoradas e a atmosfera embriaga num clima alienado.
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