terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Questão de tempo




Entre as coisas que me perturbam nessa terra estrangeira está o fator tempo. O relógio que parece correr mais rápido; o sol que se afasta as 5 da tarde, o livro não lido, o ócio desperdiçado numa linha de montagem, o chefe que nos pede mais velocidade... . Desesperados por voltarem ao Brasil, muitos sentem conforto nos ponteiros que trapaceiam descaradamente, compulsivamente e erroniamente... . Fico insatisfeito todos os dias, parece que faltou algo a ser finalizado, e sei que é preciso curar tal insatisfação com despreocupação e conhecimento a ser adquirido, e é quando me dou conta que se trata de uma luta sem fim.
É preciso esquecer o tempo e fazer o tempo esquecer de nós ao mesmo tempo não podemos perder tempo com coisas fúteis que cai como trivialidades no cotidiano. É preciso ignorar o excesso de informação que nos é jogado, capitar apenas o necessário sem saber ao certo onde ele está. Mas como se faz numa terra onde já não há tanta informação? como ignorar o tempo num pais onde as empresas nos pagam por hora?
Segundo a companhia onde eu trabalho minha hora vale 1,300 yenes. Ao final de uma jornada de trabalho não vejo esse valor, mas sim um valor incalcúlavel, não tem preço, cada hora, minuto, segundo... tem algo precioso que ninguém calcula e poucos sabem disso, mas todos sem exceção sentem o mesmo que eu sinto.

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